Consta que o sobrenome Klamas teve origem no início do século XVIII na região do Golfo da Finlândia, no Mar Báltico. Durante a Grande Guerra do Norte (1700–1721), conflito entre a Suécia e uma coalizão formada pela Rússia, Dinamarca-Noruega, Saxônia e Polônia-Lituânia, vivia na fazenda Glamars a família cujo sobrenome viria a ser registrado, nas paróquias de língua alemã da Estônia, nas formas germanizadas Glamarsback e Clamasback — mais tarde fixadas como Klamaspak e, por parte dos descendentes, simplificadas para Klamas.

A fazenda situava-se em Massby, na paróquia de Sipoo, atual Finlândia, então parte integrante do Reino da Suécia. Os sueco-finlandeses habitam a região desde a Idade Média. Em 1545 já existiam quinze fazendas em Massby, entre elas a fazenda Glamars. Massby e a vizinha Söderkulla pertenceram, dos séculos XVI ao XVIII, à família nobre Ekelöf, introduzida na nobreza sueca (Riddarhuset, nº 217) — um dado que, como se verá, ajuda a explicar a memória familiar de uma ligação a Massby. Sipoo permaneceu majoritariamente de língua sueca por séculos e ainda hoje conserva essa herança cultural.

Segundo a tradição — preservada tanto entre os descendentes quanto pela própria Câmara Municipal de Jõelähtme, na Estônia, que a recolhe como memória da ilha de Rammu —, as autoridades suecas teriam punido a família por hospedar e alimentar tropas russas durante a guerra. Relata-se que, por volta de 1710, sobreviveu apenas o jovem Klaus Klamaspak, neto do proprietário da fazenda, que atravessou o Golfo da Finlândia em um pequeno barco a vela até a ilha de Prangli, na atual Estônia.

O fato de a história circular localmente, e não apenas dentro da família, mostra tratar-se de tradição antiga e partilhada. Convém, ainda assim, registrá-la como tradição: nenhum documento contemporâneo a confirma, e o registro paroquial mais antigo conhecido (1725) nada diz sobre execução. As próprias versões divergem em pormenores — por exemplo, se a avó de Klaus sobreviveu e fugiu com ele, como conta a tradição da família, ou se apenas o neto escapou, como registra o município.

Klaus foi criado por sua avó. De acordo com os registros da paróquia de Jõelähtme, em 1722 ele trabalhava para Miku Hansu em Prangli. Em 1728 casou-se em Jõesuu com Triinu e, nessa ocasião, ainda trabalhava para o mesmo empregador. Nos registros de nascimento dos filhos Mari, em 1729, e Jaagu, em 1731, Klaus declara ser proprietário da fazenda Idlase, em Prangli. Em 1736 sua avó morreu em um incêndio na propriedade, aos 70 anos.

Quanto à ilha de Rammu, durante muito tempo acreditou-se que a chegada de Klaus tivesse ocorrido em 1737. A referência documental mais antiga, porém, é bem anterior: data de 1725 e já o situa em Rammu havia cerca de dez anos — ou seja, desde por volta de 1715. Os períodos de Prangli (fazenda Idlase, até o início dos anos 1730) e de Rammu, na verdade, se sobrepõem, e a sequência exata ainda é debatida pelos pesquisadores. O registro é uma anotação do pastor de Jõelähtme, o báltico-alemão H. C. Wrede, autor do livro paroquial mais antigo da comunidade:

«Na ilha Rammu, pertencente à Casa Anja, Klaus vive há cerca de dez anos e Jaak há oito. Eles vieram da Finlândia e são agora membros da nossa paróquia.» — Registro paroquial de Jõelähtme, 1725 (pastor H. C. Wrede)

Klaus desejava tornar-se pescador e, como não poderia instalar sozinho as redes de pesca, chamou seu amigo Jaak Lambot, também oriundo da região de Sipoo. Ambos constituíram família na costa da Estônia. Klaus e Triinu tiveram quatro filhas e sete filhos — dos sete homens, cinco deixaram descendência conhecida. Klaus faleceu em 1757, aos 63 anos; Jaak morrera antes, em 1750, afogado com um filho quando uma tempestade virou seu barco a caminho de Rammu.

As famílias Klamas e Lambot prosperaram. Ao contrário da maior parte dos habitantes do continente, eram livres, e não servos — distinção rara, num tempo em que toda a população costeira estava sujeita à servidão da Casa Anja (Anija Manor), propriedade da família nobre germano-báltica Staël von Holstein. Nos livros da igreja, seus nomes eram antecedidos da palavra «Frei» (ou da variante estoniana «Pri», livre) até à abolição da servidão. A condição tinha efeitos concretos: quando uma filha livre casava com um servo, os filhos nasciam servos; mas quando uma serva casava com um Klamas ou um Lambot, ela e os filhos tornavam-se livres. Cerca de vinte fazendas foram criadas na ilha. Toda a madeira necessária para aquecimento e construção precisava ser comprada no continente, assim como parte dos mantimentos e o feno para os animais durante o inverno. Em troca, os moradores comercializavam peixe e outros produtos do mar.

A vida não era fácil. A água potável era limitada e algumas famílias acabaram migrando para as ilhas vizinhas de Aks e Koipse. Ainda assim, aprenderam a viver nessas condições e, ao longo das gerações, expandiram-se para outras ilhas da região. Era comum que viajassem longas distâncias para comercializar seus produtos — e essas mesmas rotas marítimas, comuns às ilhotas do golfo, serviam também ao contrabando, primeiro de sal e depois de aguardente, atividade que marcaria a economia local por gerações. Foi através dessas ligações que os descendentes de Klaus estabeleceram contatos com diversas regiões do Mar Báltico.

Um fato curioso ocorreu em 1911. Descendentes da família Klamas residentes nas ilhas de Aks e Koipse dirigiram-se às autoridades finlandesas reivindicando direitos sobre a antiga propriedade de Massby, em Sipoo — precisamente o solar que pertencera à família nobre Ekelöf. A solicitação chegou à Dieta da Finlândia, cujo secretário, Ivar Ahava, lhes respondeu por carta em 12 de setembro de 1911; o pedido acabou rejeitado por questões legais. O episódio demonstra que, quase duzentos anos depois da chegada de Klaus às ilhas da Estônia, ainda permanecia viva entre seus descendentes a memória de uma ligação com Massby e com a região de Sipoo.

O pesquisador estoniano Mati Laane levanta ainda a hipótese de que Klaus estivesse ligado à família de Erik Rosendal, magistrado nas Ilhas Åland antes da guerra. Um detalhe dá força à conjectura: o filho mais novo de Rosendal, Johan, nasceu em 1694 — exatamente o ano de nascimento calculado para Klaus. Segundo essa leitura, parte das tradições familiares preservadas ao longo dos séculos poderia representar uma lembrança distante de acontecimentos reais posteriormente transformados em lenda. A hipótese, contudo, ainda não foi comprovada documentalmente — e nenhum registro liga Klaus à linhagem Ekelöf, cuja linha masculina, aliás, já se havia extinguido antes de 1710.

Do povoamento fundado por Klaus restam hoje apenas ruínas e as cruzes do cemitério da ilha. Durante a Segunda Guerra Mundial, a maior parte dos habitantes fugiu de barco para a Suécia — o que explica a forte presença de descendentes e árvores genealógicas naquele país —, e os últimos foram forçados a deixar Rammu pelo poder soviético em 1952. Entre os filhos da ilha, Johannes Klamas (1895–1921), nascido em Rammu, foi condecorado com a Cruz da Liberdade na Guerra da Independência da Estônia.

Uma evidência oficial e conclusiva da ligação entre essa família e a que posteriormente migrou da Prússia para o Paraná ainda não foi encontrada. Entretanto, os indícios reunidos ao longo das pesquisas continuam apontando para uma possível conexão. Por isso mesmo a importância de registrar aqui a história dos Klamas do Mar Báltico — seja para um dia confirmar essa ligação, seja para descartá-la definitivamente à luz de novos documentos. A pesquisa continua aberta.

A árvore genealógica dos descendentes de Klaus Klamaspak foi reconstituída a partir dos registros paroquiais de Jõelähtme e de outras fontes estonianas. Abrange aproximadamente seis gerações documentadas na ilha de Rammu e nas ilhas vizinhas de Aks e Koipse, até ao século XIX.

Árvore dos Descendentes de Klaus Klamaspak

Árvore genealógica dos descendentes de Klaus Klamaspak — clique para ampliar

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Em 2016, Liesl Maud Klamas visitou a ilha de Rammu — a mesma ilha onde Klaus Klamaspak se estabeleceu por volta de 1715. As fotografias documentam a paisagem, as construções históricas e o ambiente do Golfo da Finlândia tal como se apresenta hoje.

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